8 de jul de 2010

Caminhando

Reli reflete sobre o andamento do caminhar da vida. Reflete sobre as muitas vezes que precisamos voltar dois passos para trás no intuito de seguir seguindo enfim. Reflete sobre essa retomada. Sobre as décadas que esse retorno pode alcançar. E em como a vida se empenha em fazer-nos viver o que está pendente. E na beleza sutil da contemplação quando percebemos por um segundo que seja que algo mais escreve estória com propriedade.

Reli reflete sobre os filhos crescendo e já almejando desprenderem-se dos pais, mas ainda tão filhos. Tão dependentes embora se achem muito adultos. Construindo sua segurança futura no espaldar pai/mãe de amor incondicional. De amor que cuida. Que aceita como se é. Que estará sempre ali para o que der e vier. De Amor para sempre.

Reli reflete sobre o casal que se separou e virou pai/mãe um do outro. Reflete sobre a dependência que se formou. Reflete sobre as carências passadas clamando por atenção. Reflete sobre o amor além da vida que se infiltrou. Reflete sobre a delícia de aproveitar a satisfação de conforto que o novo estágio da relação traz. Reflete sobre a confusão de não se entender o que vem acontecendo e que propósito tem. Reflete sobre a dúvida que surge em se pensar se é saudável viver assim. Repensa. Repensa. Repensa. Reflete então sobre a dor sofrida que sentiu quando tentou acelerar um desfecho. Sobre como ficou alegre e refeita quando o outro foi contra carinhosamente. Sobre como foi compensador permanecer.

Reli reflete então sobre as guerras. Guerras como um modo de acelerar o que está por vir. Um modo de escrever a estória. Um modo de controlar. Um modo de se mover para não parar. Para não se olhar. Porque é mais difícil quando aquietamos e nos sentimos em nosso íntimo. Porque o vazio assusta. Vazio este que se preenchido deixará de incomodar e nos fazer fugir dele agindo antecipadamente.

Reli reflete finalmente sobre a paciência. Sobre viver um dia depois do outro. Sobre a zona de conforto onde os embates não são requeridos.

Reli reflete sobre o casal que virou pai/mãe. Quando estiverem prontos e certos do amor incondicional dentro deles mesmos não necessitarão mais de suas dependências. Partirão inteiros em direção a conquistas mais maduras advindas do que se vivenciou. Sabendo ou não que o que se viveu ali foi restaurador. Formatados então, seguirão seguindo.

Um comentário:

  1. Suponho que este seja continuação do anterior, que tbém não havia lido...sobre o "Reality e A Ostra"...mas não tenho certeza do que li nas entrelinhas. Não no sentido dos pensamentos, não é isto. Ao que percebi, parece que há uma espécie de evolução na relação, ainda não acabou...mas a sentença futura é que um dia terminará com o TUDO, inclusive o agora...será que é isto que se passa no seu íntimo? No do outro, nem pergunto...

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