12 de ago de 2009

Inveja

Reli reflete sobre algo que caiu de para-quedas em sua consciência, embora Reli esteja brincando, porque sabe que nada é por acaso. Percebeu que passou a vida pensando que era ciumenta ou controladora, mas teve um insight que não era nada disso. Reli só não estava fazendo o que queria fazer. Porque não sabia o que queria fazer. Então sentia inveja do outro que estava realizando exatamente o que desejava. Reli se incomoda em admitir "inveja", mas a aceitação é o começo da transformação. Reli costumava reclamar de forma a colocar pra fora sua insatisfação em relação ao outro, mas na verdade era consigo mesma. Por sua vez, o outro, tinha uma situação de prazer estragada no final. Reli reconhecia somente pra si mesmo que não tinha razão porque se sentia muito mal, mas não sabia porque. Sentia culpa. Sentia-se mal por ter transformado um bom momento em chateação sem necessidade. E a relação ia minando por causa desses atos inconscientes. Reli refletiu e descobriu a pólvora. Só que não sabe o que fazer. Reli sabe que se estiver atuando no que gosta, não sentirá inveja do outro. Isso é fácil de perceber. O problema vai um pouco mais além: Reli não sabe ir de encontro do que gosta de fazer pelo simples fato de que não está conectada com o seu querer, com o seu sentir genuíno. Reli viveu a vida fazendo algo quando os outros a chamavam, falando ao telefone quando ligavam, se acostumou a reagir ao invés de agir. E isso se tornou um padrão. E pra mudar esse hábito ou quebrá-lo, Reli terá de se reinventar. Mas a verdade é que nesse momento Reli está bem perdida. Parada no tempo. Cansada de fugir de uma situação pra outra. Já entendeu que não adianta ficar mudando de uma situação pra outra, de uma cidade pra outra e de um relacionamento pra outro que estará fugindo de si mesma quando esse si mesma vai atrás e pede pra ser reconhecido. Fugir a vida inteira será cansativo e improdutivo uma vez que Reli já se deu conta que é fuga. A única saída que Reli está vendo nessa etapa da vida é perseverar, porque se conseguir se escutar, se reconhecer e retornar para o que é original nela mesma, poderá até continuar mudando tudo, mas não porque não deu certo, mas porque deu certo.

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