1 de out de 2009

Discursos distorcidos

Reli reflete em como suas palavras estão sendo distorcidas. De um tempo pra cá, muito do que fala, é ouvido como ataque. Reli se pergunta se está falando de alguma forma estranha que suscite isso. Reli nunca teve problemas desse tipo. Porque agora? Reli sabe que fora, no exterior, está sendo manifestado o que vai dentro dela. E tenta analisar sob esse foco. Desde que mudou de sua cidade, ou seja, desde que mudou radicalmente internamente, o que fala é distorcido. Reli até acredita que certos discursos seus poderiam dar margem a outras interpretações. Reli não quer tirar o corpo fora, quer entender. A primeira vez foi antes de sair de sua cidade Natal: uma amiga combinou de jantar já que Reli se mudaria. E falou com outras amigas. Duas não foram porque não receberam telefonema de Reli. Mas não foi Reli que inventou o tal jantar. Por ela nem teria o tal. Ela estava num momento difícil de mudança e não queria alardear o que nem tinha certeza. De outra vez num fim de semana em sua cidade Natal, dias depois soube que uma amiga estava chateada por Reli não ter telefonado no dia que se foi pra saber de sua mãe enferma. Reli nem se lembrou disso. Não estava sendo fácil naqueles dias sair da casa de sua mãe, pensava em muitas coisas, sentia culpa, a adaptação na nova cidade não era fácil. E essa amiga cobrou de Reli dizendo que tinha ligado pra sua mãe pra saber se precisava de algo quando Reli se fora. Reli respondeu que agradecia, mas essa era ela, Reli não era assim, dificilmente se ofereceria pra ligar pra mãe de sua amiga a não ser que essa pedisse. Um amigo em uma rede de relacionamentos achou que Reli tinha sido seca e sarcástica quando sempre brincaram dessa maneira. A outra amiga queria vir pra casa de Reli em sua nova cidade quando seria impossível. Assim Reli colocou: que não seria possível por isso, isso e isso... E ainda mais uma vez, estando em sua cidade Natal, falando com o celular de uma amiga pra quem tinha ligado, Reli esclareceu que não era só ela que pagava a ligação, mas a amiga também, pois estava em outra cidade e seria cobrada por deslocamento. Reli falou isso, pois a amiga achava que só Reli estaria pagando. As duas últimas não se colocaram e pode ser paranóia da cabeça de Reli. Mas o fato é esse: Reli já está paranóica com o que vem acontecendo. Não teve maldade em nenhuma das vezes. Mas o rumo está sendo sempre parecido. Suas palavras são mal entendidas. Sempre em relação com as pessoas de sua antiga cidade. Reli não está entendendo o que acontece.

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